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domingo, 20 de setembro de 2015

Doce de ameixas do Oeste





Das férias, trouxe um bronzeado ligeiro, alguns vasos com plantas, muitas saudades, um frasco de mel das colmeias do meu pai e um frasco de doce das ameixas do quintal lá de casa. Entretanto o doce está quase a acabar e isso lembra-me que esta semana (dia 23) já chega o Outono. Os meus pequenos-almoços vão sentir a falta do sabor a Verão das ameixas. A tia Ruth e a minha mãe conseguem fazer uns doces e compotas com o toque de acidez ideal: metade do peso de açúcar para o peso da fruta e muito amor (é capaz de ter outros ingredientes, mas ainda não me passaram o segredo). Queria mostrar-vos o pormenor da tampa do frasco como me foi oferecido. Mesmo bonito, não estava? Não é assim tão difícil de fazer (ponto cruz e um contorno em franjinha cosida à máquina) e fica mesmo bonito e com um toque especial. Achei que devia partilhar a ideia para inspirar quem costuma fazer compotas para oferecer.

Muito em breve é tempo de começar a fazer por cá o meu doce de abóbora com nozes e canela - que casa melhor com o tempo fresco e as primeiras chuvas. Não sei é se haverá tempo para fazer tampos de frascos assim tão personalizados, mas qualquer coisa se há-de arranjar!


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

retalhos de um sábado perfeito





Cupcakes de chocolate com recheio de framboesas e bolo de chocolate com avelãs, lareira, bacalhau com natas da mamã, camarão, carne assada nas brasas, café de saco e família. Foi tão bom!


domingo, 20 de janeiro de 2013

crítica meteorológica


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Tem sido um fim de semana chuvoso e de vendaval, um pouco por todo o país. Só há minutos os meus pais me telefonaram finalmente a avisar que está tudo bem, depois de estarem um dia sem internet, telefone fixo e os telemóveis só lhes permitirem chamadas de emergência. É a velha questão de a vida "no campo" ter quase tantos contras como prós. Na cidade é mais raro estas coisas acontecerem. Por lá, ruíram duas chaminés na casa do vizinho do lado e, entre todas as árvores que caíram, apenas uma caiu encostada à casa na praia e não houve estragos de maior. Por cá, também nada nos caiu sobre os carros (fui confirmar logo de manhã) e a casa que passa a vida a inundar-se e a dar problemas, portou-se como uma senhora. Claro que o dia de ontem foi passado com a música do vento a assobiar por baixo de todas as portas e janelas, mas não deixou de ser uma sinfonia divertida. 

Potencial para me estragar a disposição de tão invejosa que fico, têm as fotografias que vejo pelos blogues das gentes no norte da Europa e Estados Unidos, todas com um manto branco de neve e aquele ar pacífico e idílico dos contos de fadas. Que raio! Tanta chuva, tanto vento... porque não um nevãozito para podermos atirar umas bolas de neve uns aos outros? À falta disso, recorro ao açúcar em pó e, já que não neva nas ruas, faço nevar sobre os bolos!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

época das vindimas


Wendy Macnoughton

Há dias encontrei este poster ilustrado e, por momentos, a ideia de um dia ter uma adega com garrafeira em casa, atravessou-me os pensamentos. Cresci numa casa com adega, lagar, pipas e barricas de vinho. A madeira tinha um aroma próprio. Nesta altura do ano havia muita gente para ajudar nas vindimas e na pisa das uvas. Cheguei a pisar (mas não éramos tradicionais -  só entrávamos no lagar com galochas lavadas nos pés e nunca descalços). Com o passar dos anos, a vinha deixou de ser cuidada, a adega perdeu a utilidade e os meus pais fizeram obras em casa transformando esse espaço numa sala. O torno do lagar continua guardado no sótão e há dias, como o de hoje, em que a agricultora que existe em mim quer muito ir reabilitá-lo para a sua função.

domingo, 6 de maio de 2012

gostos campestres




É a última vez que regresso a fotografias do lanche da semana passada (prometo não vos massacrar muito mais). Mas gosto tanto de bouquets com flores campestres! Tanto! Ao ponto de às vezes me apetecer mesmo arranjar dentro de casa um canteiro com terra trazida do campo e não semear lá nada, deixar apenas que germine a vida que la venha adormecida. Ter um canteiro selvagem dentro de casa.

Tudo é possível. O meu irmão, por exemplo, tem alfaces, feijão verde, morangos, várias ervas aromáticas e até tem uma oliveira (que este ano já deu azeitonas que temperaram e comemos à refeição!), tudo nas varandas de um terceiro andar. Não é bem o mesmo que ter cavalos na varanda, mas também é em Coimbra e eu sou completamente a favor!



sábado, 3 de março de 2012

ne m'oubliez pas



Desde pequena, sempre gostei de miosótis. Acho que o fascínio começou logo na primeira vez que a minha mãe me disse o nome daquelas florinhas minúsculas e percebi o quanto ela gostava delas. Disse-me que também havia quem lhes chamasse "não-me-esqueças" ou "não-te-esqueças-de-mim" e ensinou-me que em inglês se chamavam "forget-me-not" (há aqui, definitivamente, um grande potencial romantico-bucólico que quero acreditar que não me terá passado completamente despercebido aos quatro ou cinco anos de idade de então). Na altura, havia miosótis no nosso quintal. As flores surgem agrupadas em pequenos "cachos" a que se dá o nome de inflorescencias. São sensíveis, gostam de locais húmidos e abrigados mas atingem o seu maior esplendor no Verão. Cheguei a encontrar alguns com flor, muito tempo mais tarde, numas linhas de água doce que iam desaguar perto da praia onde costumávamos passar as férias grandes. Agora já não vejo nenhuns ao vivo há mesmo muitos anos e fiquei nostálgica quando encontrei esta fotografia. Continuo a achar que são realmente bonitos. As cores das flores podem variar até aos rosas e brancos mas são sempre maravilhosas. E chamam-se MIOSÓTIS! Como não gostar de uma planta com um nome assim?

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

let it snow!

Na noite de 24 para 25 de Dezembro, o nosso termómetro do carro chegou a marcar -2ºC. Andou ali pelos 1, 0, -1º e, não fosse aquele maravilhoso céu limpo e estrelado, bem que podia ter nevado.

Em minha casa neva. E neva bastante. Mas só quando agito o globo.



sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Um dia... gostava de regressar.


Os cheiros a terra molhada, fruta colhida directamente das árvores, flores silvestres, folhas de eucalipto ou carumas espalhadas pelo chão, são dos meus preferidos. Cresci encostada ao Pinhal de Leiria, numa zona em que havia pomares e hortas. A casa dos meus pais é modesta mas sempre teve jardim e quintal. Havia também uma avó que vivia para cultivar a terra e fazê-la produzir coisas boas. Chegámos a ter uma pequena vinha e havia um lagar em casa, as vindimas eram uma alegria. Havia porcos, galinhas e coelhos. Tínhamos a nossa própria lenha para as lareiras e para o forno, e um pomar perto de casa que produzia maçãs e pêras para todo ano e ainda sobravam algumas para vender. Adorava ir com a minha avó fazer as regas, eram uma emoção. O motor bombeava a água do poço para uns "carreirinhos" cavados na terra que conduziam a água ao longo do terreno e a iam acumulando em torno das árvores, porque a minha avó erguia murinhos de terra à volta de todas elas com a ajuda da enxada. Era uma espécie de rega por sulcos. Aprendi a sachar e tudo, aposto que o fazia mal, mas aprendi. :) Morei lá até aos 18 anos e só depois descobri a vida nas cidades. Regressar nunca mais foi o mesmo. Em relativamente poucos anos, essa geração dos avós foi substituída bem como todas estas actividades. Bem, quase todas, que os meus pais apesar de trabalharem fora ainda têm alguns patos, galinhas e colmeias de abelhas. Vão tendo ovos e mel caseiro. Há também árvores de fruto que, apesar de não serem podadas nem tratadas, continuam a produzir ameixas, laranjas amargas, abrunhos, marmelos, limões, nêsperas... só que raramente alguém os colhe. E isto não é discurso saudosista, é o quanto me custa ver esbajados tantos recursos e a possibilidade de uma vida mais saudável e com menos desperdício.

Porque a natureza exuberante e maravilhosa não existe só longe de nós. Não precisamos de ir até às zonas rurais de Inglaterra (se bem que muitas vezes apeteça) para vermos as quatro estações estampadas nos campos, quando temos um clima tão bom e terrenos tão férteis aqui. Precisamos é de prestar atenção e valorizar mais o que temos. Aliás, esta semana apercebi-me das marcas do Outono mesmo aqui ao lado de casa (no centro de Lisboa). Até trouxe um bocadinho pequenino de Outono para casa. É como digo muitas vezes (e no fundo, é para eu própria não me esquecer): basta abrirmos bem os olhos.




terça-feira, 27 de setembro de 2011

tios de ♥



Cresci tendo como vizinhos da casa ao lado uns tios do meu pai. Desde que aprendi a falar, sempre os tratei por "titi" e "titio". Foi como me ensinaram e era como os sentia. Ambos partiram há uns anos e sinto sempre um vazio pequenino quando vou lá e vejo a casa fechada. Já não há sardinheiras floridas na varanda nem o tio a afiar pauzinhos com o canivete suíço, sentado no muro por baixo da velha oliveira. A velha oliveira também já não existe. Ainda assim, lembro-me frequentemente e com muito carinho do olhar paciente dela e das teimosias engraçadas dele (era mesmo Heleno!). Apercebo-me muitas vezes do quanto gostavam de nós por me lembrar de algum episódio na infância, das coisas que nos ensinavam e sempre que uso uma das muitas sacas de pão, lençóis ou outros tecidos bordados pela tia para mim. Na aldeia era vulgar as senhoras mais velhas zelarem por que tivéssemos um enxoval, era uma tradição querida mas que se foi perdendo. A minha "titi" bordava à máquina e era uma senhora mesmo muito talentosa. Era daquelas pessoas raras, em vias de extinção.
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