Sei que nós temos memória curta e uma tendência para dramatizar. Por "nós", podem entender "humanos", "mulheres", "portugueses" - o que preferirem! - porque as generalizações valem o que valem (muito pouco). Mas apercebo-me muitas vezes da minha própria memória curta em vários contextos - quer quando encontro textos que escrevi na adolescência e que sou incapaz de me imaginar a escrever, como quando percebo que a minha memória seletiva dourou acontecimentos concretos do passado. Ora, um blogue que escrevemos há anos (este tem mais de 11, imaginem!) tem esse lado bom de nos trazer a verdade à memória por permitir que recorramos aos arquivos e facilmente confirmemos como era a vida em meses e semanas de outros anos (com um bocado de paciência, há outras redes sociais que permitem o mesmo).
Hoje estava a almoçar uma salada na varanda, com manga curta, cheia de calor, e não há como não ter a sensação de que alguma coisa não está bater certa. É quase Novembro! É normal estarem mais de 30ºC no final de Outubro? Por saber dessa tendência para esquecer depressa, pensei que talvez sim, talvez não fosse assim tão absurdo nem tão diferente dos últimos anos. Fui tentar confirmar. Já encontrei um 5 de Novembro em que escrevi "enquanto o frio a sério não chega" mas as mantinhas, os pratos de forno, as botas e os casacos das fotografias de Outubros passados, fazem-me suspeitar que, apesar dos céus azuis com Sol a brilhar intensamente, não é mesmo nada normal estar tanto calor. Claro que é assustador! Não é inesperado mas os efeitos do aquecimento global são daquelas previsões que, no fundo, desejávamos com muita força que não se confirmassem. E têm-se confirmado. Não param de se confirmar.