sábado, 5 de agosto de 2017

pudim de tapioca para animar as manhãs



Eu sei que há agora um hype em torno da tapioca e principalmente das crepiocas (crepes de tapioca). Parece-me bastante exagerado, uma vez que nem são assim tããão inacreditavelmente saborosas e há usos bem mais interessantes para a tapioca. A minha avó fazia muitas vezes tapioca quando eu era miúda - era cozida mais ou menos como se fosse um arroz doce mas com tapioca, grossa e previamente demolhada em água, em vez do arroz. A minha sogra prepara-a quase exactamente da mesma maneira, por isso, até há poucos anos, eu nem sequer sabia que havia outras formas (pelos vistos bem mais populares - no Brasil, principalmente).

A tapioca é fécula de mandioca, composta essencialmente por hidratos de carbono e sem valor nutricional considerável. Ou seja, tem muitas calorias mas poucos nutrientes que interessem. Posto isto, nem se percebe muito bem a popularidade recente - apesar de eu suspeitar que se deve ao facto de não ter glúten e ser versátil. Isso é. Até existem bebidas alcoólicas obtidas a partir da fermentação de tapioca! Mais, li algures que a tapioca é mesmo considerada património da humanidade. :)

Como eu não tenho nada contra os hidratos de carbono e acho que a melhor alimentação é a mais variada possível, nenhum alimento está completamente banido da nossa cozinha. Com conta, peso, medida e bom senso, todos são bem vindos (mas uns mais que outros, claro!).

Não descarto experiências. Um destes dias mostro-vos duas formas de preparar as crepiocas que já testei (e repito ocasionalmente) e passo-vos as receitas. São agradáveis, fáceis de preparar e uma boa ideia para variarem os pequenos almoços, lanches ou sobremesas de vez em quando. Os recheios e coberturas é que fazem a diferença!

Voltando à tapioca da avó - que é a que usei aqui e a minha preferida. Comprei tapioca não hidratada em grânulos grandes (bolinhas com 3 a 6 cm de raio) e coloquei-a de molho em água fria durante cerca de 8h. A tapioca cresce bastante ao hidratar desta forma, por isso usem pouca quantidade (entre 50 a 100g chegam para adiantarem vários pequenos-almoços).

Escorri bem a água e levei a tapioca ao lume para cozer, mergulhada em leite de aveia. Usei leite de aveia porque era o que tinha à mão mas podem usar leite de vaca ou uma bebida vegetal que prefiram. Se o vosso objectivo for uma sobremesa (e não forem obcecados com a contagem das calorias) acrescentar leite de coco ou natas faz toda a diferença na cremosidade e sabor (eu juntei cerca de 100ml de natas frescas). Ao líquido da cozedura devem acrescentar os aromas que preferem: podem ser paus de canela, vagens de cardamomo, pedaços de casca de limão... eu escolhi uma vagem de baunilha cujo recheio já tinha usado noutras receitas. Adocem ao vosso gosto. Acho que fica mesmo mais saboroso se for pouco doce. Juntei duas colheres de açúcar integral de cana. Acrescentem também uma pitada de sal. Deixem ferver, mexendo sempre até engrossar (eu gosto de usar bastante líquido para os pedacinhos de tapioca ficarem mais diluídos e o "pudim" final solidificar menos e manter-se mais fluido e cremoso. Podem retirar do lume quando as bolinhas maiores de tapioca já estiverem translúcidas e sem o núcleo branco - quer dizer que cozeram completamente. Fica uma papa pegajosa e cheia de goma (ou não fosse a tapioca amido!), é normal. Depois de cozido, podem retirar o que acrescentaram para aromatizar e separar por copinhos. Pode-se comer mesmo assim, mas fica muito melhor depois de frio.

Nos meus copos, depois de arrefecerem bem, cobri cada um com puré de manga e sementes de cânhamo descascado. Acreditem, a mistura de texturas ficou perfeita!

Como disse acima, se preferirem, podem comer mesmo só a tapioca, sem mais nada e fica óptima. Também podem improvisar. Sirvam bem frio. 




terça-feira, 18 de julho de 2017

considerações sobre o veraneio



Desde há vários anos, tinha sempre a obrigatoriedade de gozar as minhas férias em Agosto. Nada contra. Gostava era de, além de Agosto, ter também Junho, Julho e Setembro livres. :) E depois umas duas semanas na Páscoa, mais duas no Natal... (sim, eu sonho alto!)

Regressemos ao mundo real. Tendo que escolher, sempre achei que Junho e Setembro seriam os melhores meses. Este ano estou a testar parcialmente a minha teoria mas ainda a meio do estudo, já acho que férias recortadas não proporcionam o mesmo descanso. Não chegamos a sentir aquela vontade ligeira de regressar, não sentimos saudades e voltamos ainda a precisar de distância da realidade quotidiana. Como uma noite em que não durmamos as horas necessárias, sabem? Vocês como fazem?

Entretanto, o desafio é aproveitar Lisboa o melhor possível nos tempos livres durante os meses de Julho e Agosto - e fugir tantos fins de semana quantos for possível! Essencialmente, queria dizer-vos que vou andar mais por aqui e tentar voltar a ter alguma assiduidade erva-cidreiresca. (sim, eu sonho alto!)

Bom Verão, gente!


(todos os meses e estações do ano escritos em maiúsculas são propositados porque essa regra do Acordo Ortográfico irrita-me particularmente)


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Menos é Mais





O meu sítio preferido do planeta não tem ar condicionado nem aquecimento central. Tem muita natureza (o que inclui aranhas, aranhões, mosquitos, bezouros, moscas, abelhas, traças, centopeias, gaios, esquilos, piscos de peito ruivo, rouxinois, gaivotas, pilritos, cobras, águias, gralhas, mariposas, borboletas, formigas, sardaniscas...). Não tem rede móvel e apanha só 4 canais de TV (e mal). O meu sítio preferido do planeta não tem lojas nem luxos. É perfeito. Tem zero glamour, mas com cheiro a camarinhas e som de ondas. É só perfeito. Volto já!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Os melhores dias do ano já cá estão!



Chegaram as festas e arraiais populares, o calor, os grelhados pelas ruas, flores e grinaldas coloridas a enfeitar as varandas, os jacarandás em flor por toda a cidade, as férias no horizonte e a feira do livro de Lisboa!

Este ano coloquei dois cadeirões de exterior na mini-varanda e não sobra espaço para mais nada. Claramente uma situação em que tive "mais olhos que barriga". :) Ainda assim, com muito boa vontade, é possível almoçarmos lá fora umas saladas leves e tudo o que não ocupe muito espaço e possa ser comido com o prato ao colo. :/ E o prazer de poder recostar-me naquelas almofadas ao pequeno almoço ou ao fim de alguns destes dias quentes também não é de desprezar.

Vejo-vos mais logo pelas ruas de Lisboa?




terça-feira, 30 de maio de 2017

vestida por... mim!




No último fim de semana consegui terminar uma peça de roupa minimamente usável - apesar de  bastante imperfeita. É um vestido amarelo e ficou larguíssimo mas estou feliz na mesma (mais vale largo que apertado  - Am I right?). Usei um tecido baratinho porque tinha receio de estragar tudo e ser um desperdício, mas acabo por concluir que a tarefa teria corrido melhor se o tecido não fosse tão mau. Foi um teste. Com o tempo vamos lá!

Quando ainda andava a estudar (no 3º ciclo e no secundário) cheguei a ir várias vezes para a escola com roupas feitas por mim. Ainda hoje me questiono como é que isso era possível. Agradeço a paciência e benevolência da minha mãe por ter aturado a minha adolescência. Não sei como sobrevivi às parvoíces que fazia mas, por outro lado, tenho alguma pena de a idade nos trazer esta coisa a que chamam "bom senso" que nos faz tão mais retraídos. Este ano não há-de acabar sem que eu saia à rua com roupa feita por mim!




quinta-feira, 18 de maio de 2017

Papas de aveia - sem limites :)



As papas de flocos de aveia são uma daquelas coisas que sempre fizeram parte da minha vida. A minha mãe fazia-as, a minha avó também, habituei-me a prepará-las de mil e uma maneiras mas nunca lhes dei grande  atenção por serem tão habituais lá em casa. Fáceis de fazer, saborosas, rápidas e muito saciantes, eram a escolha frequente nos dias em que apetecia um pequeno almoço mais substancial ou quando faltavam ideias para despachar o jantar. Durante muito tempo, as minhas preferidas eram as que fazíamos ao jeito do arroz doce: flocos cozidos em leite com um pau de canela, raspa de limão e açúcar integral de cana. Hoje já não sou grande fã de misturar canela e limão, mas antes era assim mesmo que gostava! Cozidas em água também não aprecio, ficam pouco cremosas. Mas agora não faltam alternativas de leites vegetais bem saborosos como os de amêndoa, avelã, caju, arroz ou mesmo de aveia (tentem fazer em casa porque são mesmo fáceis ou tenham atenção e evitem comprar os que tenham açúcares adicionados).

Nunca abandonei completamente a aveia mas, durante uns tempos, apeteciam-me mais as papas não cozidas - as "overnight oats" como estas de que vos cheguei a falar - que ficam a amolecer durante a noite e nos esperam prontinhas ao pequeno almoço. Recentemente redescobri o prazer de uma boas papas cozidas e cremosas porque percebi que não há muitos limites para a criatividade - e a aveia é mais bem digerida depois de cozida. Há versões que não acabam e podemos sempre inventar e descobrir novas formas de as melhorar.

Na imagem, a preferida do momento: com curcuma e cardamomo, entre várias outras coisas deliciosas. Fica boa e bonita, além de nos fazer muito bem. Dá para prepararmos doses maiores e despacharmos logo vários pequenos almoços de uma vez ou um lanche/almoço pronto a levar (se colocarmos num frasco, fica fácil de transportar).

Uma descoberta boa que fiz com a Catarina Beato no workshop na Maria Granel foi a maravilha que é adicionar uma colher de sopa de farinha de coco e/ou farinha de batata doce às papas porque ficam muito mais cremosas e o sabor também sai a ganhar.

Estou rendida. É bom voltar aos sabores de sempre e encontrar aquele conforto do que nos é familiar sem que deixe de nos surpreender todas as vezes!


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sexta-feira, 5 de maio de 2017

considerações climatéricas e outras secas




Só hoje é que me consegui despedir da página mais bonita do calendário Mollie Makes. Abril foi tão bom, caramba! Que mês! Não foi bom para a agricultura e também não é muito sensato ficar feliz com o que podem bem ser consequências muito palpáveis do aquecimento global, mas o "Abril chuvas mil" habitual não é tão saboroso como esta primavera a pedir praia. Acho que vêm agora mais alguns dias de chuva e pode ser que a seca equilibre. É que, na verdade, agora sim deveriam estar a chegar os dias quentes em que começa a apetecer dar uns mergulhos. Ao contrário de quase toda a gente, ainda não pus nem um pé na areia (descalço, pelo menos) e estou a precisar. Bora lá, Maio!

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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Tróia num fim-de-semana grande




Amanhã, terça-feira, é feriado. Isso quer dizer que muito boa gente terá aproveitado para fazer uma ponte hoje e gozar um fim-de-semana prolongado de 4 dias - o que são praticamente umas férias! Não foi o meu caso (que já fui trabalhar - e bastante! - hoje) mas é bom fazê-lo já com a mira no facto de que a próxima segunda-feira também será feriado.

Tanto amanhã como na próxima semana, devo ficar por casa - tenho demasiadas coisas para fazer - mas, se estiverem mesmo a precisar de espairecer, deixo-vos a sugestão de umas das mini-férias recentes que fizémos: Tróia. Aquele sítio onde não se passa nada e que, por isso, é perfeito para descansar. Além de que fica "já ali" e é muito, muito bonito.

Vão ver que 3 dias lá vos hão-de saber a uma semana inteira de férias. :)















quarta-feira, 12 de abril de 2017

adenda ao post anterior


Eu não estou de férias. Só para ficar claro (e mais incrível!). :)

terça-feira, 11 de abril de 2017

dias bons, estes





Faltam só uns dias para a Páscoa. O tempo tem estado maravilhoso, com céu azul e um calor que só lembra férias (hoje, 29ºC em Lisboa!). Não esperava tanto de Abril. Tem sido perfeito. Tenho aproveitado muito bem o meu tempo e estou com aquela sensação rara de estar a conseguir adiantar muitas das coisas que passava a vida a adiar. Sabe tão bem!

Esta semana já fiz cortinados novos para todas as janelas da sala, furos na parede para alguns quadros que precisavam de espaço, remendos e arranjos em roupa que estava há demasiado tempo a pedir atenção, limpezas várias (até no lado de fora das janelas!), experimentei receitas novas, transplantei as minhas nespereiras que estavam mesmo a precisar de vasos maiores e hoje semeei as alfaces e cenouras que havemos de comer no Verão. Em maré produtiva, é aproveitar!


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Há vida na varanda












Antes de começar a escrever aqui alguma coisa, hoje, dei-me mesmo ao trabalho de ir com uma fita métrica tirar as medidas à nossa mini-varanda. Tem 2,3m por 1,4m. Pouco mais de 3m2. Tudo para vos poder assegurar que é MESMO pequena e que, independentemente do pouco espaço que possam ter disponível, é possível terem uma pequena horta ou jardim em casa. Ainda por cima, a nossa fica num ventoso 9º andar e virada para o frio norte! Não há desculpas, portanto. :)

Posso garantir que poucas coisas sabem tão bem como vermos as nossas plantas todas a florirem e podermos ir apanhar ervas aromáticas ou flores comestíveis directamente da terra para a cozinha. Isto na cidade tem um valor incalculável! Claro que há quem tenha mesmo quintais e jardins (ou varandas/terraços com espaço decente) em plena cidade e seja mais fácil, mas não é preciso muito mais que vontade e um bocadinho de dedicação (nem é assim tanta! Mesmo só um bocadinho).

Bem sei que em "Abril, águas mil" e que "Março ventoso, abril chuvoso" mas vamos aproveitar um dia de cada vez - e esta semana prevê-se maravilhosa!

sábado, 25 de março de 2017

Não sou desperdício zero, mas gosto da contagem decrescente





Carregar frascos grandes de vidro não é das tarefas mais práticas e é, quanto a mim, um dos principais factores dissuasores para quem quer abraçar uma vida com menos plástico, menos desperdício e embalagens. Podemos ter a motivação certa mas é necessária uma força de vontade à prova de frustração (e braços tonificados) para se resistir à tentação da facilidade. E, convenhamos, em dias de muito trabalho, trânsito caótico, casas por arrumar, mil compromissos e sonos atrasados, é tão mais fácil ceder ao consumismo e fechar os olhos à quantidade de lixo descartável que trazemos para casa. O frio e a chuva vêm dificultar ainda mais a tarefa de resistirmos ao apelo do conforto. Mas é possível. Além disso, qualquer passo no sentido contribuirmos para um planeta com menos desperdício, vale sempre a pena. Nem que seja pelo sentimento de dever cumprido quando nos aninhamos ao final do dia!

O melhor? Reduzir, não só é bom para a nossa Terra, para o futuro, para os outros e para nós, mas é muito mais bonito. Para me incentivar a ser mais firme em alguns destes pequenos passos, peguei em retalhos que andavam cá por casa (restos de toalhas de mesa!) e fiz um saco de fundo largo (capaz de albergar confortavelmente os frascos maiores) com alças compridas e confortáveis para os ombros. Não é um saco que muda as circunstâncias, claro, mas, pelo menos, alegra-me os olhos e facilita-me um bocadinho os dias! 



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