Chegaram as noites agradáveis, por arrasto dos dias quentes.
Gosto muito destas noites em que apetece ir para a rua ou deixar as janelas abertas. Acrescentam sabor a férias até aos piores dias de trabalho.
Pensem comigo: se temos de acordar com o despertador, arrastar-nos para fora da cama, tratar de mil e uma coisas antes de podermos sair de casa (e não nos esquecermos de levar água connosco!), apanhar trânsito ou transportes públicos, trabalhar horas a fio com um calor abrasador e com o céu azul lá fora a convidar-nos a desertar a qualquer momento... mas aguentamos. Chega o final do dia e temos duas opções. Pensar no dia incrível que perdemos, resmungar de cabeça baixa pelo que nos espera no dia seguinte, jantar qualquer coisa contrariados e aterrar no sofá a ver uma porcaria qualquer até o sono nos vencer. Ou podemos desfrutar da sensação do dever cumprido e aproveitar da melhor maneira o tempo que resta. As temperaturas continuam convidativas, anoitece tarde e uma janela aberta de par em par ou uma mesa na varanda espalham cheirinho a verão por toda a casa. Saladas, grelhados, bebidas frescas, fruta da época, música, uma toalha colorida, um vaso de manjerico à mesa e amigos. Ou então só nós, o silêncio bom do cair da noite, um cocktail diferente para experimentar, a gata a dormir enroscadinha ali ao lado e um livro para colorir (ou ler). Férias ao final do dia.
(Claro que estou a omitir a louça e roupa para lavar, arrumar, estender, apanhar e engomar, o chão por aspirar e limpar, as plantas que não se regam a si próprias... esses "pormenores".)















